Por que as pessoas estão investindo no Rio de Janeiro?

08 Março

A Cidade Maravilhosa volta a chamar atenção para sua vocação empresarial com a retomada do setor de petróleo, marcada pela nova rodada de leilões de blocos do pré-sal em outubro, último. A privatização do setor foi uma das bandeiras de campanha do novo governo brasileiro, que tomou posse no dia 1.º de Janeiro e animou os players do mercado.

De um modo geral, o ministro Paulo Guedes e sua equipe de alto gabarito tem respaldo do mercado e sua estratégia para a economia consiste, prioritariamente, em atrair fluxos de investimento externo direto. A recuperação da economia já dá sinais, o índice Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo acumula alta de 10,64% este ano.

A venda dos campos petrolíferos da camada do pré-sal impactarão diretamente a economia do Rio de Janeiro, uma vez que a província petrolífera, que responde por cerca de 50% dos 2.8 milhões de barris diários produzidos no País se encontra, em sua maioria, no litoral do Estado. Pela proximidade, o Estado abriga a base industrial para a exploração, com a construção de plataformas, navios e a montagem de sondas. O setor é a principal fonte de divisas para do Rio.

Serão 14 rodadas de leilões planejadas até 2021. As 6 já executadas atraíram as gigantes mundiais do setor, como Exxon Mobil, Chevron, BP, CNOOC, entre outras, gerando previsões de investimento externo direto da ordem de 27 bilhões de dólares.

Para o setor imobiliário, a compra destes ativos engendra um ciclo de investimentos em deslocalização de milhares de trabalhadores qualificados, aquecendo a demanda por propriedades de alto padrão.

Destino global consolidado

No front da hospitalidade, o mercado foi sacudido pelo anúncio feito pelo Grupo LVMH, que adquiriu o Grupo Belmond e o icônico Copacabana Palace. Já o Grupo Accor investiu  R$ 50 milhões no Largo do Boticário, conjunto de arquitetura colonial da cidade, e R$ 250 milhões no primeiro hotel sul-americano Fairmont, em Copacabana. Investimentos que mostram claramente que o Rio ganhou mais peso que nunca,  como um dos principais destinos globais.

Outro movimento de mercado se dá na área portuária, no festejado Porto Maravilha, que recebeu investimentos vultosos em urbanismo e transporte.  Novas torres comerciais, como o Aqwa, assinado pelo célebre Norman Foster, responsável por obras como a do Reichstag, o Parlamento em Berlim, e o Gherkin ("pepino", em inglês), em Londres, que já receberam cerca de 4 mil funcionários de grandes empresas, e a Fábrica de Start Ups, que abrigará 130 empresas iniciantes com faturamento de R$ 50 milhões anuais.

A 2 km dali, ao lado dos novos Museu de Arte do Rio e do Museu do Amanhã,  o Mercado do Porto Carioca inspirado em moldes europeus, como o Time Out, de Lisboa,  repleto de atrações gastronômicas, abre na segunda metade de 2019 para mudar o panorama local. São tendências que apontam para o aumento médio do valor das propriedades no Rio, que tem a vantagem de ainda ser um dos poucos destinos onde a hospedagem de curta duração no estilo Airbnb não está regulada, tornando a cidade uma espécie de oásis para este tipo de investimento de alta rentabilidade.

Apesar de subirem lenta e consistentemente, após a crise de 2015, os preços ainda estão 25% abaixo dos valores verificados antes da crise. Os preços atuais, convertidos à taxa de câmbio entre o real e as principais moedas, configuram excelentes oportunidades para os investidores internacionais.

Os bairros do Leblon e Ipanema pouco sofreram com toda a crise e mantiveram seu status de principais joias do mercado, seguidos por Copacabana (beira-mar), Jardim Botânico e Gávea.

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